14.5.07
Ocupação da reitoria da USP
Post criado para dar espaço para um relato da ocupação feita pelos próprios ocupantes.
Podem postar via comentário ou via nossa comuna no orkut :http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1345429 e nós do Coletivo Maria Baderna nos comprometemos a transferir o texto para cá.
d.B. Cooper


criado por sheppa
23:30 — Arquivado em:
Comentário por Tatiana — 16.5.07 @ 10:07
É terrÃvel ter de admitir que o ensino chegou à um nÃvel de compartimentação (sem mencionar ainda a questão de classes) tal que, estudantes de ciências humanas, na maioria das vezes, sabem o que uma mobilização pode fazer devido ao histórico das lutas travadas entre classes nesse longo perÃodo vivido pela humanidade, ao passo que estudantes de ciências exatas, na maioria das vezes, são extremamente preocupados com os cálculos e teorias quânticas, sem enxergar toda sociedade à sua volta e um mundo cheio de problemas que, na maioria das vezes, as teorias complicadas de estrutura atômica não resolvem.
Na USP por exemplo, a adesão à s paralizações quase sempre começam pelos estudantes e professores dos cursos de ciências humanas e raras são as adesões de alunos das exatas ou biológicas, por exemplo, mesmo que o motivo da greve reinvidique melhoras para sua própria classe, já que a maioria desses estudantes “exatos”(salvo exceções) não se enxergam como parte de um todo e sim como um indivÃduo competindo com outros milhares (a visão capitalista de ser).
(continua)
Comentário por Tatiana — 16.5.07 @ 10:09
(continuação)
Me lembro que, durante uma manifestação contra o aumento da mensalidade na faculdade particular em que estudo, rarÃssimas eram as presenças de alunos que não cursavam ciências humanas (sem comentar a presença nula dos estudantes de ciências econômicas).
Enquanto eu empilhava carteiras em frente ao prédio da quÃmica, onde cursava o 2° ano de quÃmica bacharelado, fui surpreendida por uma aluna, da mesma classe em eu que estudava, retirando as carteiras da pilha, que aos berros, dizia: “Se você não quer ter prova, arranja um atestado falso pra você, mas não atrapalha quem quer”. Com a pouca calma que me restava, tentei argumentar que um aumento de 60 reais na mensalidade afastaria a possibilidade de muitas matrÃculas serem renovadas além de afastar a possibilidade de novos estudantes ingressarem num curso de uma faculdade que recebe subsÃdios da prefeitura e mesmo assim possui preço de Univer$idade particular. Não é necessário mencionar que ela não me escutou, e me xingando de petista (pra ela a conotação do xingamento não era a mesma que pra mim), terminou de arrancar as carteiras que “obstruÃam” a passagem, entrando no prédio, junto aos outros estudantes, não menos mesquinhos, que também “queriam fazer a prova”.
Comentário por Tatiana — 16.5.07 @ 10:10
(continuação 2)
Fiquei aos prantos pensando que a alienação é muito cruel realmente, mas, que isso não era apenas uma questão de alienação, e sim de classes, já que eu pagava a faculdade com a grana que recebia do estágio e ela, não precisava trabalhar para pagar a mesma.
Após o aumento, fui obrigada a deixar a faculdade para trabalhar apenas, pois não conseguia bancá-la com a miséria que recebia do estágio mais que exploratório. Encontrei tal aluna outro dia, cerca de dois anos depois, que até me convidou para a sua formatura que acontecerá ainda este ano. A convidei para a minha também, que acontecerá daqui 2 anos, devido à “pequenos problemas financeiros”, que tal aluna sequer tem consciência, por que está preocupada demais com sua tese de mestrado sobre problemas quânticos, que defenderá ano que vem, quando estiver formada.
Desculpem-me a análise rasa e cheia de erros de concordância, mas o desabafo hoje era mais que urgente depois de conversar com um estudante de quÃmica da USP que me disse que hoje que vai aproveitar a paralização na USP para estudar (não vai ajudar a fazer número na ocupação pois nem “sabe direito mesmo qual é o motivo do alvoroço”…)
Agora sim acabou o post….rs
Comentário por Pajeú Suçuarana — 19.5.07 @ 23:08
Cara Tatiana, é com muito pesar que lhe informo que há um cem número de estudantes da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), que assim como esses alunos “exatos” citados, também não aderem aos movimentos em prol da manutenção da Universidade pública e de qualidade.
Sei porque estive lá. Sou formado pela FFLCH e, embora não militasse em nenhum grupo especÃfico, participava com muito gosto de greves e manifestações.
Posso estar enganado, mas acho que essa tendência à omissão dos estudantes, inclusive os da FFLCH, só tende a aumentar! É a porra do indivudualismo, de quem quer ter ö direito de fazer provas” e se formar.
Mal sabem que por ignorância, estão deixando o governo Serra e sua “secretaria” de Ensino Superior acabarem sistematicamente com o ensino público deste estado, com o direito de outros fazerem suas provas e se formarem.
Comentário por Osmar — 6.8.09 @ 12:12
Mas a greve era a prol do que, gente?!