Sheppa de Ingratu

Coletivo Maria Baderna

17.5.07

Guerrilha Artística

   Afinal, como pode um povo apreciar arte sem entender seus mecanismos, sua história e acima de tudo sua produção?
   Alguém com senso crítico um pouco mais apurado e dois ou três livros na mão já percebe como é elitista, opressor e de certa forma fajuto o que é considerado “ARTE” dentro da sociedade (escolas, museus, mídia…) e como esse conceito é usado de forma violenta na exclusão social.
Chegamos ao ponto de exaltar o termo “manifestações populares” para diferenciar a arte acadêmica da arte produzida por uma determinada comunidade.
   Nos é apresentado por diversas vezes, projetos que pregam por inclusão social atraves da arte (ou da cultura) que pecam em seu conceito principal, justamente por oferecer apenas o produto final da arte. A arte pronta e indiscutívelmente chamada de arte.
   Há um abismo muito grande entre levar crianças de escolas públicas para conhecerem a Bienal do livro, ou a uma visita ao Municipal e incentivar a criação de bibliotecas populares nas periferias, considerar a própria escola pública de bairro como um instrumento realmente público e desenvolver cursos de poesia, pintura, música etc.
   É preciso uma mudança radical de conceitos nessa história toda. A arte virou uma mercadoria muito valiosa na mão de poucos e sua produção ainda mais elitista.
Os “artistas”(sentados em poltronas confortáveis) se tornaram pessoas iluminadas por uma industria doentia, que se alimenta dessa linha de produção plastificada e coloca suas etiquetas de preços e catracas em seus produtos. Mesmo os artistas revolucionários que se posicionam contra essa lógica, acabam sendo mais uma iguaria da industria. Um grupo muito bem vendido como rebeldes e ainda assim com um discurso muito longe das vielas mal iluminadas das periferias.
   O acesso e a sagrada inclusão são então, consentidos para aqueles que possuem o bom gosto de um bolso cheio de dinheiro e a sensibilidade de um pote de ouro.
   Eternas reformas na política cultural das administraçoes públicas sem nunca chegarem ao X do problema, demonstram a fragilidade de seus projetos “pão e circo” e a forma débil com que são implantados.
   É preciso criar alternativas reais de auto-gestão artística, não para formar apenas um mercado paralelo, mas sim para que se produza arte em cada poro aberto das cidades de forma direta, instigante, visceral e realmente revolucionária.

d.B.Cooper

criado por sheppa    12:36 — Arquivado em: Sem categoria

2 Comentários »

  1. Comentário por Leandro — 17.5.07 @ 14:14

    Bom!

  2. Comentário por Umagá — 28.5.07 @ 13:39

    Muito bom texto.De fato as administrações públicas se dão de forma débil…Tanto é verdade que basta verificar a quantidade e a variedade de cursos culturais na periferia, comparado com a quantidade e variedade de cursos oferecidos nos centros.
    Também concordo que a arte como forma de entreternimento não basta! Não dá pra aceitar que uma minoria tenha acesso as mais diversificadas formas da arte , enquanto a maioria enche linguíça.
    Infelizmente isso acontece também no esporte, quem se dedicou as aulas de educação física? Levamos tudo como uma grande encheção de uma linguíça gigante.
    Outro contra ponto é que quem quer mesmo conhecer algo, fará seus esforços necessários para alcançá-la.

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