26.5.07
Poema de sangue
POEMA DE SANGUE
Sangra
A silhueta esguia que trazia o leite
Pela manhã
A criança que tropeça e cai e
Sangra, o amigo do futebol e
A fruta atacada pelos pássaros.
Sangra
O coração apertado do estudante
À véspera da primeira mulher
E o lençol e o nariz
Após o sexo e a luta
Sangram a guitarra espanhola
A cimitarra
E as crias de Portugal.
Sangram violentas
As lágrimas da morte
O peito vermelho da juventude
A camisa rasgada da adolescência
O hímen da inocência
O útero, a consciência
Recém parida para o mundo
Sangram o jornal da segunda-feira
E o escarro do poeta
Sangra
O espelho, a pia escondida no guarda-roupas
Transborda a saliva
Dos olhos
As lágrimas da boca
O esperma vão.
Sangra a mortalha do santo
Que boceja na prateleira
Sangra, obscena
A navalha que desliza
Repentina
Tentadora
Liqüefaz o pulso
E induz ao ponto.
Por Brancaleone


criado por sheppa
0:07 — Arquivado em:
Comentário por Josh Lyman — 26.5.07 @ 1:04
Muito Bom Branca !
“Es presiso volver a empezar en algún lugar estabamos perdidos en la playa del mar que nos unió, es presiso volver a empezar en algún lugar estabamos perdidos en la playa deborandonos.
Naturaleza sangre
Naturaleza sangre
Naturaleza fuimos hechos para vivir fuimos hechos para herir y tu amor te salva y tu amor te salva!!!”
(Fito Paez)
Comentário por Abacuc — 4.6.07 @ 16:28
Que beleza, cara!
À altura do A rosa do povo.
Comentário por Acadêmico do Palestra — 4.6.07 @ 17:22
Supimpa!
Este texto corre nas veias!
Parabéns, Brancaleone.