Sheppa de Ingratu

Coletivo Maria Baderna

19.6.07

Só uma flor

Uma flor nasceu no agreste
Numa tarde repentina
Em solo duro e seco
Como a vida do nordestino

Um ponto de vida no marrom
Era o brilho de suas pétalas.
Lilás
Era essa sua cor
Como o coração do nordestino

Todos saíram assustados
Levando a enxada e o cansaço nos ombros
Para ver,
naquela famigerada tarde,
Uma estranha flor que brotou
No solo que nada dá

Nasceu de teimosa
Subversiva

Nasceu bela flor no solo
Em que não brota nem xique-xique

Crianças descalças,
De mãos calejadas,
olhavam risonhas
Ninguém ousava chegar
Perto
Admiravam como se vissem encantamento
Mas era flor real
Tinha alma, vida e cor
E se atreveu nascer no sertão

Sertanejo velho olhava para o céu
Procurava alguma resposta
Nenhuma nuvem estava
À flor deram nome de Deus

Querendo saber o que tinha
Que tanta pessoa olhava
Menina da cidade grande
Com retrateiro na mão
Também quis espaço na roda

E, vendo tão bela cena
Um milagre colorindo o secume
Não teve dúvidas
Arrancou a beleza mais rara
E enfiou no cabelo

Acabou flor roxa no solo
Acabou colorido na terra
Acabou milagre e salvação

A menina saiu sorrindo
Sertanejo voltou para a lida
Crianças de volta ao trabalho
E tudo voltou ao normal.

Por Andréia Marin

criado por sheppa    19:51 — Arquivado em: Sem categoria

1 Comentário »

  1. Comentário por Leandro — 21.6.07 @ 14:13

    Bonito, Andréia. Gostei.

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