27.6.07
Mas que falta de educação! ! Parte I
1)Para que serve a Escola?
Francisco Ferrer
Podemos responder a essa pergunta de forma rápida e sem pensar muito.
A escola serve para formar o ser humano, torna-lo sociável e instruí-lo com conhecimento.
Porém essa questão é bem mais complexa e delicada para uma resposta assim, de “bate-pronto”.
A seriedade da educação é tida sempre como um fator primordial na formação de uma sociedade. A instrução de um povo é refletida em suas relações pessoais e no desenvolvimento do meio em que vive.
Sim concordo. Mas não é apenas isso.
Como essa educação é fornecida e a forma como o saber é compartilhado são pontos fundamentais na formação dessa sociedade.O tipo de escola que temos irá determinar sim o tipo de estrutura social em que viveremos.Uma escola exclusivista e elitizada irá, por exemplo, formar uma comunidade de excluídos.
A violência e o atropelo capitalista chegaram há muito tempo na escola dominando seu sistema pedagógico. A educação na verdade sempre foi artifício de opressão e exclusão social. Salvo em poucos casos de caras escolas particulares, a relação Fordista de ensino que entope estudantes com um conteúdo programático/pedagógico sem profundidade (e sem interesse de se aprofundar em nada), contamina todas as esferas educacionais fazendo da instituição Escola uma máscara enfadonha, onde pouco importa as relações humanas, as individualidades ou mesmo a formação do pensamento independente. Na realidade se estimula a competição (como no mercado de trabalho) entre quem conseguirá as melhores notas repetindo exatamente o que os livros dizem, sem nenhuma chance de estudo crítico.
Estabelece-se então que a escola serve para criar “grandes executadores de tarefas”, alguém que servirá ao sistema sem questioná-lo e assim poderá ser bem pago pela sua contribuição.
A Escola, como tem sido organizada e sustentada pelo Estado em parceria com um setor privado que explora a “mercadoria” educação, não só é alienante como também é alienada ao círculo social em que está estabelecida. No caso específico da Escola Pública, onde a já excluída e massacrada população das classes mais pobres é usuária, a total falta de compromisso e diálogo com a comunidade, unida a uma política de pouco investimento financeiro e estrutural leva a situação do ensino a um caos completo e assim por anos vivendo num círculo vicioso, que obviamente não interessa, nem ao Estado, nem ao setor privado que acabe.
Não é possível mais deixar a comunidade isolada da Escola Pública no que se refere ao projeto pedagógico, formação de conselhos, financiamentos, eleição de diretoria. Ou seja, a participação ativa e organizada da população dentro da escola é bem maior e mais profunda que simplesmente abrir a Escola aos finais de semana para campeonatos esportivos ou feiras de artesanato.
O primeiro passo a ser dado para que possamos pensar num outro tipo de ensino e numa Escola Pública de qualidade é a abertura de um diálogo radicalmente democrático com a comunidade. Dessa forma organizada e autônoma poderá então se forçar na queda de braço com o poder público, uma reestruturação completa não apenas na qualidade do sistema, mas também em seus métodos e políticas. Podemos inclusive ter um grande avanço na questão acima apresentada.
Afinal…para que serve a escola?
d.B. Cooper


criado por sheppa
0:56 — Arquivado em:
Comentário por Tatix — 28.6.07 @ 7:50
Concordo com você, d.B.Coopgótisky!