Sheppa de Ingratu

Coletivo Maria Baderna

31.7.07

A outra luta do campo.

Quilombolas, Ambientalistas e Lutadores X Capitalistas e Estado.

Enquanto a grande mídia se esforça para sugar a atenção da sociedade brasileira para as questões da crise aérea, nosso recorde de medalhas de ouro no Pan, e claro, se ocupa de maneira integral em tentar arranjar um culpado a se fuzilar no acidente da TAM (sem citar a nefasta atuação das grandes empresas como GOL e a própria TAM nos bastidores da política), existe no momento uma batalha acontecendo por trás da tela da TV e das linhas manipuladoras de jornais e revistas.

O ataque violento ao campo e ao meio-ambiente pela exploração capitalista.
Num momento onde se faz grande alarde com relação ao aquecimento global e shows com superstars da música realizados em vários lugares do Mundo, aqui em nosso quintal tupiniquim, longe dos holofotes, grandes industrias se armam até os dentes para roubar da natureza, a terra e a água que ainda sobram às comunidades ribeirinhas, quilombolas e pequenos agricultores, em nome de um falso progresso social e econômico.

A já conhecida Aracruz Celulose, que vive agredindo violentamente o meio-ambiente com seus “desertos verdes”, acelera sua posição no campo do desrespeito e opressão social, invadindo e destruindo o território de reservas indígenas e comunidades quilombolas. Seu passo mais recente é não reconhecer uma área já demarcada pelo INCRA e publicada no Diário Oficial, onde a portaria afirma que 9.542,57 hectares pertencem à comunidade Kilombo Linharinho, porém 82% dessa área esta ocupada com plantação de eucaliptos da Aracruz. Outras comunidades Quilombolas do Espírito Santo já prestam solidariedade pela Linharinho e decidiram na manhã de 23/07 reocuparem a região da reserva para pressionar o cumprimento da portaria do INCRA.

No Vale do Ribeira (SP) a luta dos movimentos sociais (MOAB - Movimento dos Atingidos por Barragens), comunidades quilombolas, comunidades indígenas e ambientalistas, é contra a construção da Usina Hidrelétrica de Tijuco Alto, promovida pela Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), pertencente ao empresário Antonio Ermírio de Moraes.
O empresário, conhecido por sua guerra pessoal contra os licenciamentos ambientais, está há mais de 20 anos tentando a construção dessa usina, que irá gerar energia exclusivamente para a CBA, onde pretende ampliar em 30% a produção de alumino para exportação.

11 mil hectares de Mata Atlântica seriam inundados com a construção da barragem. Além dos impactos óbvios ao meio ambiente, é preciso considerar ainda as perdas dos moradores da região que sobrevivem de pesca e pequenas plantações. O Rio Ribeira do Iguape é o último rio de médio porte que não possui barragens, além de ser desde 1999, Patrimônio Natural da Humanidade. Ainda no passado a região toda foi área de exploração de chumbo. Com a inundação os resíduos deverão contaminar todo o rio, causando ainda mais problemas ambientais.

Audiências Públicas estão sendo realizadas em várias cidades da região e apontam que o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) apresentado pela CBA é omisso em várias questões. No final de julho o governador José Serra vetou um projeto de Lei que transformaria o rio em patrimônio histórico, cultural e ambiental do Estado de São Paulo, o que impediria a construção da barragem. É a mão corrompida do Estado lavando as mãos sujas da exploração ambiental nas águas por hora limpas do Ribeira de Iguape

É preciso estar atento a essas e a outras grandes lutas das comunidades e movimentos organizados contra a exploração/opressão em “favor” do progresso econômico de poucos.
Como já dizia John Lennon: “Vida é o que acontece com você, quando você está ocupado com outros planos”.

Sobre a luta no Vale do Ribeira http://ribeira.zip.net/index.html
d. B. Cooper

criado por sheppa    11:26 — Arquivado em: Sem categoria

30.7.07

Conspiração

“Años pasados no volverán”. Às vezes me perece que corro atrás de um tempo que já se foi. Luto pelo que foi o sonho de outrora, algo que em verdade pode não ter existido. Haverá outro sonho possível? Como romper o desconforto que nos oferece o mundo presente sem recorrer às velhas possibilidades?
Novas moças encantam o mundo. Novos rapazes correm por conquistá-las, competem palmo a palmo por uma maior proximidade de suas saias. A roda permanece girando, a máquina persiste. Seus sistema se reprograma, se auto-aperfeiçoa, e nós talvez tenhamos nos estagnado em relação às formas de sonhá-lo diferente, em relação aos meios de combatê-lo quando se faz necessário. Debruçado sobre o caso e sem respostas, movo a caneta para cá, para lá, é sempre um começo movê-la. Haverá outro meio de se partir o pão, quem sabe de se partir as cabeças. Talvez esteja no canto esquerdo da folha, em branco, talvez lá fora. Aqui na rua, bem aqui, no centro de São Paulo, convivem em certa harmonia homens de terno, ébrios, vendedores de milho, crianças, carros, a viatura que engrossa a freguesia do bar, ratos, gatos e cães. Uma, duas caçambas de entulho. Eu suspeito de conspiração quando passo na calçada. Olhinhos furtivos sempre estão à espreita esperando que eu desapareça e abandone o lixo à sua própria sorte.

 

Por Brancaleone

criado por sheppa    16:45 — Arquivado em: Sem categoria

20.7.07

Coma

COMA

Caio no leito das preocupações
Perfurado pelos detalhes
Do meu dia a dia, adiando
Minhas revoluções, navegando
A nau falida dos meus desastres
O suor extrapolando as medidas do poro
A preguiça me acusando em silêncio
Quase inodoro.

Vulcão às avessas
Ensaio uma erupção
Catacumba, bumba, bumba
Ecos do meu coração.
Longe do resto do mundo
Ressonando, vagabundo
Compressa de água quente
Cinzeiro repleto
Num vértice entre os segundos
Asco de gente
E da manipulação poética do alfabeto
E a preguiça… ah… nestésica
Me tragando bem mais fundo.

Por Brancaleone

criado por sheppa    20:07 — Arquivado em: Sem categoria

19.7.07

PANdemônio!!!

Julho promete! Começaram os Jogos Panamericanos no último dia 13, sexta-feira. Não que eu seja supersticioso, mas, dizem, é sinal de mal agoiro! Será? Para o presidente Lula, talvez tenha sido!

Lula, como qualquer outro chefe-de-estado está sujeito às vaias, ou à ovação. Como o mar não está pra peixe, convieram as vaias… mas, cá entre nós, não podemos dizer que as arenas dos jogos estivessem lotadas de almas dotadas do mais sábio senso crítico. Vaias, ou favas contadas, anunciadas por Veja, Globo, Estadão e afins.

Voltando aos jogos. Nestes últimos dias, o recesso escolar tem me permitido assistir a programação nos canais de esporte. Muitas medalhas são conquistadas diariamente por nossos atletas - algo sempre esperado do país que sedia os jogos.

Contudo, não são essas medalhas frutos do investimento sério e responsável de nossas autoridades. As Federações são como covis lotados de leões, talvez hienas, prontos para devorarem e destroçarem o esporte nacional. Vaias a eles! Agem em benefício próprio, lesando profundamente o desempenho de atletas, comprometendo o desenvolvimento dos esportes. Cada vez mais assistimos o verdadeiro êxodo de atletas, ao exemplo dos nossos craques, ou não tão craques do futebol, em busca de terras estrangeiras. Aos que não têm a mesma sorte, resta talento e garra de sobra.

Quanto a organização, um capítulo a parte em termos de irresponsabilidade:

campos em mal estado, goteiras na quadra de handebol, falta de placar eletrônico em diversas modalidades, falta de informações, queda de luz no centro de imprensa, falta de ingressos, cambistas, vaias a atletas estrangeiros…vaias a nós!!! E ainda pretendemos sediar Olimpíadas, Copa do mundo etc.

Estamos aquém do fraco Panamericano de Santo Domingos, criticado por Guzman, cartola do comitê olímpico brasileiro.

Dias depois à agoirenta sexta-feira treze, caiu um avião em Congonhas, São Paulo, dia 17, aniversário deste que escreve. Meses antes a ANAC proibiu operações com os Airbus, Boigs etc., proibição esta derrubada por liminares conseguidas na justiça pela TAM, pela GOL etc.

Palmas!!!

 

criado por sheppa    20:13 — Arquivado em: Sem categoria

12.7.07

Brincadeira

Depois dos 15,
eu nunca mais pulei corda.
Com o cinto e o chicotinho,
fiz tudo o que a mãe mandou.
Aos 25,
pulei cela, corri cotia,
me esquivei da mãe-da-rua
pra escolher a mais bonita.
Com 40,
entrei para sempre na roda.
Sob o cinto e o chicotinho,
não mais parei de dançar.

Abacuc

criado por sheppa    16:46 — Arquivado em: Sem categoria

11.7.07

Mas que falta de educação II.

(Paulo Freire - Educador, pensador brasileiro).

A MÁ EDUCAÇÃO

Seguindo a reflexão deixada aqui por d.B. Cooper, inspiro-me a escrever nesta fria tarde de julho. Não se trata de um texto coeso, com começo, meio e fim, mas algumas reflexões sobre educação:
• Como muitos, ou poucos, sabem, trabalho com educação. Em escolas mesmo. Dando aulas. Por isso mesmo Educação toma boa parte dos meus dias, esgota-me as energias e consome quase todo o meu pensamento. Trabalhando ou descansando.
• Mesmo que procure fugir do senso comum, tenho de concordar com meus pares em certas questões: vida de professor não é fácil; o salário de professor é uma vergonha; as condições de trabalho estão a cada dia piores etc. Isso não se discute! Em um país onde a educação de suas crianças é relegada ao descaso dos mandantes, ou ao oportunismo de empresários, não é de se estranhar que a coisa ande tão ruim.
• Empregada doméstica espancada no Rio por jovens de classe média alta. Lembram-se de Galdino, o cacique pataxó, ou das prostitutas arrastadas por pick’ups, ou dos mendigos queimados em São Paulo…? Péssima educação essa de nossos jovens. Em casa, ou na escola, aprendem desde cedo a menosprezar o próximo, a serem individualistas, o que vale é o que se tem e não o que se é. Pais escrotos, crianças criadas e educadas pela TV, escola e professores tecnicistas distantes dos reais interesses dos educandos e alheios às necessidades do velho século XXI.
• Está se tornando comum a violência de alunos contra professores: violência física, moral, ou psicológica. Vandalismo? Juventude perdida? Domínio do tráfico e da criminalidade nas escolas de periferia? Pouco caso dos alunos/ clientes de classe média em relação a seus “professores subalternos”? Há de tudo isso um pouco. Mas nós, professores, nos distanciamos dos alunos. A escola e sua estrutura burocrática não faz sentido algum para os jovens. Escolas/ empresas procuram formar robozinhos para disputar vagas em vestibulares e formarem-se mão-de-obra para o mercado. Falta carinho…
• De quem é a culpa pelo fracasso de nossa educação: nossa!!! Nós os professores; nós os pais; NÓS, SOCIEDADE!!! Falhamos, pois não sabemos educar; por não valorizarmos a juventude e seus anseios, por não valorizarmos a sabedoria dos mais velhos; por não querer compartilhar; por acreditarmos que a educação é técnica; por sustentarmos a tanto tempo no poder essa corja, essa elite que nos quer como gado…
• Amemos, compartilhemos, colaboremos/cooperemos com seus iguais; respeitemos; protejamos; preservemos o meio-ambiente; sejamos corteses, gentis; tenhamos compaixão; tenhamos carinho, ouçamos…assim educaremos melhor.

Pajeú Suçuarana. 

criado por sheppa    20:01 — Arquivado em: Sem categoria

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