30.7.07
Conspiração
“Años pasados no volverán”. Às vezes me perece que corro atrás de um tempo que já se foi. Luto pelo que foi o sonho de outrora, algo que em verdade pode não ter existido. Haverá outro sonho possível? Como romper o desconforto que nos oferece o mundo presente sem recorrer às velhas possibilidades?
Novas moças encantam o mundo. Novos rapazes correm por conquistá-las, competem palmo a palmo por uma maior proximidade de suas saias. A roda permanece girando, a máquina persiste. Seus sistema se reprograma, se auto-aperfeiçoa, e nós talvez tenhamos nos estagnado em relação às formas de sonhá-lo diferente, em relação aos meios de combatê-lo quando se faz necessário. Debruçado sobre o caso e sem respostas, movo a caneta para cá, para lá, é sempre um começo movê-la. Haverá outro meio de se partir o pão, quem sabe de se partir as cabeças. Talvez esteja no canto esquerdo da folha, em branco, talvez lá fora. Aqui na rua, bem aqui, no centro de São Paulo, convivem em certa harmonia homens de terno, ébrios, vendedores de milho, crianças, carros, a viatura que engrossa a freguesia do bar, ratos, gatos e cães. Uma, duas caçambas de entulho. Eu suspeito de conspiração quando passo na calçada. Olhinhos furtivos sempre estão à espreita esperando que eu desapareça e abandone o lixo à sua própria sorte.
Por Brancaleone


criado por sheppa
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