14.8.07
AMIGO, NÃO FALE

(Para M.N. Pelizzari)
Amigo, não diga nada
Apanhe um copo em silêncio
e pousa teus olhos nos meus
Ouça, amigo, os sons do passado
Sinta os odores remotos
as carícias do vento
e das canções esquecidas
Não, amigo, não perca tempo
com palavras inúteis
Descalce teus pés sobre
a terra estrumada da infância
Lembra das meninas sem nome?
Lembra dos meninos da rua
dos cães vadios, das frutas?
Lembra da lua, amigo
das estrelas cadentes?
Quantos sonhos, quantas promessas
quanto lirismo, quanta poesia
e quanto amor represado
Não, amigo, cala-te!
O momento é sagrado
e a palavra é profana
Refaça no meu olhar a quermesse
das tuas façanhas juvenis
Repisa comigo aquele pó
aquelas pedras, aqueles campos
em busca de cada rosto esquecido
Amigo, não diga nada
Eterniza comigo este momento
esta viagem mágica e verdadeira
Acredita que depois dela
jamais estaremos sós
Abacuc


criado por sheppa
17:52 — Arquivado em:
Comentário por Brancaleone — 16.8.07 @ 15:07
Mais uma vez, uma pérola, ó vecchio.