Sheppa de Ingratu

Coletivo Maria Baderna

29.9.07

Romantismos do Branca 1

                         Confissão

Meu coração perdoa o lodo em meu sorriso
Me põe desperto pra encenar o meu papel
Hora após hora ergo os olhos para o céu
Temendo a fúria de um último juízo.

Entre quimeras sorvo puro desatino
Bebendo d’água que ontem fora derramei
Após fugir me entrego novamente à lei
Bandido cego, meio só, meio menino.

Corrompo a mim de amor que outrora expurguei
Chagas de Goethe; dor incurável de Azevedo
Enfermidades entre as quais nunca tombei.

Olhos temíveis me aliciam, mas não cedo
Na noite antiga onde meus pés um dia atei
‘Inda me amarram os mesmos grilhões de medo.

 

Por Brancaleone

criado por sheppa    14:07 — Arquivado em: Sem categoria

25.9.07

O Brasil de Mano Brown…

             

Acabo de desligar a TV. Assitia algo inédito. Mano Brown, vocalista e compositor dos Racionais MC’s, em entrevista no progama "Roda Viva" da TV Cultura.

Não conheço quase nada do movimento Hip-Hop, do Rap, ignorância confessa. Mesmo que goste e até admire alguns nomes: o próprio Racionais e o Brown, o Sabotage, Happin Hood, MV Bill, Doctors MC’s, Detentos. São alguns dos  nomes que conheço e cujo trabalho conheço SEM NENHUMA PROFUNDIDADE - conheço pouco, mas o pouco que conheço, admiro.

Dentro deste universo, ainda inexplorado por mim, o Mano Brown tem um certo destaque. Um certo destaque, não! um puta destaque. Mano bem-articulado, bom poeta / letrista, coerente…

A entrevista de hoje foi uma boa oportunidade para escutar o homem por trás das idéias. É o Brasil tendo voz na TV, o Brasil de uma maioria da população das grandes cidades, mas de uma insignificante minoria na mídia, no poder, nas universidades…é o Brasil de Brown.

Mano Brown não tem formação universitária, mas nem por isso faz uma análise pior que a do sociólogo. Suas falas apresentam algumas falhas, na verdade, falhas ao meu ver…não concordo com tudo que Mano Brown fala - não concordo, mas respeito!!! É fala coerente, é a fala de uma realidade.

Falou Mano Brown de drogas, de violência policial, de tráfico, da questão do negro, do morador de periferia/favela, falou dos CEUs e da Marta (e sua derrota pro Serra e pro Kassab), falou das cotas, de camelôs, do Bolsa Família, de Malcon X…ou seja, nada muito diferente do que se ouve em suas letras, mas com as explicações da mente que está por trás de versos e rimas. Versou livre e sobriamente sobre sociologia e política, sem ser sociólogo, ou político, nem um e nem outro - gostemos, ou não, concordemos, ou não, mas é de se respeitar.

Mano Brown disse não querer ser exemplo pra ninguém, muito menos um líder ou coisa que o valha - quer ser APENAS um artista livre: ponto pra Brown. Essa fala foi uma das que mais me impressionou, positiva e negativamente, ainda não avaliei direito.

Bom, sem mais delongas, é isso aí. Vale a pena conhecer Mano Brown, os Racionais, o Rap nacional e o Brasil de que eles falam…vale a pena olhar  com carinho pra esse Brasil. 

Pajeú. 

criado por sheppa    0:50 — Arquivado em: Sem categoria

18.9.07

URBE

Urbe

Viva, veloz cidade
Uma buzina explode
Alarde! Ardem os ouvidos
O asfalto arde, o calçado
derrete,
manteiga no pão quente da cidade.
A cidade dos esquecidos
Do garoto pelado
Zunidos atravessando a vidraça
Adolescentes tapam os sons da esquina
com aparelhos sonoros
Atrás do batom, do vestido rasgado
Uma menina e seus rancores inodoros 
                       me incomodam em silêncio.

Por Brancaleone.

criado por sheppa    17:56 — Arquivado em: Sem categoria

4.9.07

Vale o quanto pesa?

      

A campanha pela reestatização da Cia. Vale do Rio Doce , apesar de ignorada pela grande mídia, está conseguindo entre a militância da esquerda tradicional brasileira uma forte mobilização e uma grande articulação.

Alguns debates precisam ainda ser feitos a respeito da anulação do leilão e sobre suas conseqüências. Qual o papel de uma empresa Estatal no país, por exemplo.
Uma importante contribuição dessa campanha (mesmo que não seja vitoriosa), na minha opinião é o fato de se colocar o debate político do caráter das privatizações e suas farsas tucanas em muitos lugares onde política não era naturalmente discutida.

O envolvimento de estudantes secundaristas e de jovens universitários na organização e divulgação do Plebiscito fez com que escolas e universidades abrissem espaço para debater o tema. Em muitas delas isso nunca havia acontecido antes.

Outro fator positivo é também a aproximação entre partidos de esquerda, movimentos e coletivos em torno de uma luta. Mesmo com discordâncias pontuais, alguns setores estão conseguindo "sentar para conversar" superando rusgas históricas da esquerda.

Problemas.

Porém a campanha ainda erra em não aprofundar algumas relações que envolvem a Cia Vale do Rio Doce.
O fato de existir a possibilidade da Vale voltar a ser Estatal, não significa que ela será PÚBLICA. E isso é essencial no debate.

Claro que é importante que ela volte a ser do Estado, pois isso sugere um melhor controle de suas políticas. Porém, devemos lembrar que vivemos sob a democracia de um Estado Burguês que trabalha em função da elite da sociedade, parcela minoritária da população que sobrevive a gerações explorando os trabalhadores.

Portanto, não é o fato de se tornar Estatal que a empresa irá mudar sua política nefasta de exploração de minério ou de desrespeito em relação às leis ambientais.
A Vale, mesmo quando era Estatal, visava o lucro. E para ter lucro explorava o meio-ambiente, construía barragens, expulsava e inundava comunidades ribeirinhas além do que, competia no mercado como qualquer empresa privada. Assim como vergonhosamente faz a PETROBRAS. Uma falsa estatal que vende ações em Wall Street e promove uma política sub-imperialista na América do Sul (exemplos de Bolívia, Equador e Peru), da mesma forma que multinacionais européias e norte-americanas fazem com o Brasil.

É importante a anulação do Leilão da Vale?
Sim, muito importante, mas não é só isso. A mudança do caráter do Estado , assim como a denúncia de toda forma de opressão e exploração e o combate a isso são fatores cruciais e portanto não devem estar omissos ao debate.

Estudantes, movimentos sociais, sindicatos e coletivos de esquerda não podem esconder ou se alienar a esses fatos. Uma estatal num governo burguês explorará os trabalhadores e o meio-ambiente tanto quanto qualquer empresa privada.
Que a Vale seja um dia REALMENTE nossa!

d.B. Cooper


criado por sheppa    20:46 — Arquivado em: Sem categoria

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