Sheppa de Ingratu

Coletivo Maria Baderna

4.9.07

Vale o quanto pesa?

      

A campanha pela reestatização da Cia. Vale do Rio Doce , apesar de ignorada pela grande mídia, está conseguindo entre a militância da esquerda tradicional brasileira uma forte mobilização e uma grande articulação.

Alguns debates precisam ainda ser feitos a respeito da anulação do leilão e sobre suas conseqüências. Qual o papel de uma empresa Estatal no país, por exemplo.
Uma importante contribuição dessa campanha (mesmo que não seja vitoriosa), na minha opinião é o fato de se colocar o debate político do caráter das privatizações e suas farsas tucanas em muitos lugares onde política não era naturalmente discutida.

O envolvimento de estudantes secundaristas e de jovens universitários na organização e divulgação do Plebiscito fez com que escolas e universidades abrissem espaço para debater o tema. Em muitas delas isso nunca havia acontecido antes.

Outro fator positivo é também a aproximação entre partidos de esquerda, movimentos e coletivos em torno de uma luta. Mesmo com discordâncias pontuais, alguns setores estão conseguindo "sentar para conversar" superando rusgas históricas da esquerda.

Problemas.

Porém a campanha ainda erra em não aprofundar algumas relações que envolvem a Cia Vale do Rio Doce.
O fato de existir a possibilidade da Vale voltar a ser Estatal, não significa que ela será PÚBLICA. E isso é essencial no debate.

Claro que é importante que ela volte a ser do Estado, pois isso sugere um melhor controle de suas políticas. Porém, devemos lembrar que vivemos sob a democracia de um Estado Burguês que trabalha em função da elite da sociedade, parcela minoritária da população que sobrevive a gerações explorando os trabalhadores.

Portanto, não é o fato de se tornar Estatal que a empresa irá mudar sua política nefasta de exploração de minério ou de desrespeito em relação às leis ambientais.
A Vale, mesmo quando era Estatal, visava o lucro. E para ter lucro explorava o meio-ambiente, construía barragens, expulsava e inundava comunidades ribeirinhas além do que, competia no mercado como qualquer empresa privada. Assim como vergonhosamente faz a PETROBRAS. Uma falsa estatal que vende ações em Wall Street e promove uma política sub-imperialista na América do Sul (exemplos de Bolívia, Equador e Peru), da mesma forma que multinacionais européias e norte-americanas fazem com o Brasil.

É importante a anulação do Leilão da Vale?
Sim, muito importante, mas não é só isso. A mudança do caráter do Estado , assim como a denúncia de toda forma de opressão e exploração e o combate a isso são fatores cruciais e portanto não devem estar omissos ao debate.

Estudantes, movimentos sociais, sindicatos e coletivos de esquerda não podem esconder ou se alienar a esses fatos. Uma estatal num governo burguês explorará os trabalhadores e o meio-ambiente tanto quanto qualquer empresa privada.
Que a Vale seja um dia REALMENTE nossa!

d.B. Cooper


criado por sheppa    20:46 — Arquivado em: Sem categoria

1 Comentário »

  1. Comentário por Pajeú — 4.9.07 @ 22:02

    Grande companheiro. Gostei muito do texto. Concordo plenamente que propriedade do Estado não significa de fato um bem-do-povo.
    Mas também penso que reverter o privatismo é um bom precedente…quem sabe um dia.
    A depender da conscientização que tivermos a respeito do que é a nossa “res publica”.

    Só é pena que não seremos reembolsados, não é?

    CPI do saldão de empresas públicas, já!!!

    hehehe

    Saludos a todos!!!
    Pajeú Suçuarana.

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