Sheppa de Ingratu

Coletivo Maria Baderna

17.10.07

Aqui e Agora

As novas formas do capitalismo forjadas a partir da segunda metade dos anos 70 chegam hoje a um novo limite. E a única forma que esse sistema tem para se sustentar é dominar a base da produção dos países emergentes (Brasil varonil), ou seja, seus produtos agrícolas. A exploração do meio-ambiente agora vem travestida de grandes plantações e uso “sustentável do solo”.

A antiga lógica das “funções” no comércio do Mundo – países desenvolvidos compram produtos agrícolas e matéria prima dos subdesenvolvidos e estes compram produtos industrializados e tecnologia – já não funciona bem assim. Nós, do eterno Terceiro Mundo, ainda importamos tecnologia e a industria nacional é praticamente uma filial das transnacionais. Porém nossa moeda de troca nos tratados comerciais já não é nossa de verdade.

Cansadas de lutar contra o protecionismo a produtores agrícolas locais, a rigorosidade de leis ambientais e a falta de terras produtivas e exploráveis, grandes empresas do agro-negócio encontraram um terreno extremamente fértil no Brasil para seus experimentos transgênicos e sua agressividade empresarial.

Companhias como a Monsanto, Syngenta e Aracruz Celulose, conseguem no atual período - muito mais que no governo tucano por incrível que pareça! - apoio da União para a produção de transgênicos e sementes híbridas, passando por cima das leis de Biossegurança e avançando contra os pequenos agricultores e os poucos assentados pela reforma agrária.

Este terrível ataque do agro-negócio em terras brasileiras é o que definirá toda nossa produção de alimentos. Essas empresas que já possuem a maior parte das produções de milho, soja, laranja e produtos de granja, agora brigam na justiça pelos royalties sobre as sementes utilizadas no país e batalham nos corredores da justiça pela proibição do “mau hábito” do pequeno agricultor em guardar sementes para a próxima safra, obrigando-o a sempre comprar sementes novas.

Isso seria a quebra da Lei de Cultivares que ainda protege a agricultura familiar e pequenas produções agrícolas. Para isso contam com o apoio de órgãos como o Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Agrário além da Associação Brasileira de Sementes e Mudas. É o governo trabalhando para o lobby do agro-negócio como nunca se viu antes.

Enquanto isso, o MST, preocupado com o esmagamento dos assentados que serão transformados em empregados dessas companhias e de Usineiros que também entram no jogo de olho no biocombustível, prepara ainda timidamente uma reação que se tardar, pode simplesmente não dar em nada.

d.B.Cooper

criado por sheppa    13:24 — Arquivado em: Sem categoria

1 Comentário »

  1. Comentário por William Dubal — 22.10.07 @ 11:47

    É um momento delicado. Infelizmente em meio a todo cenário político, inclusive os movimentos de esquerda revolucionária, não vejo grandes horizontes. As condições materiais vão piorar… Sabemos que isso não é de todo mal, pois uma hora a merda vai para o ventilador, nem que seja da pior forma possível.

    Abraço!

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