24.11.07
Romantismos do Branca 4

NOVEMBRO
Mando as estrelas se apagarem no infinito
E me bronzeio num quente verão astral
Eu te dedico um cigarro meio aflito
( Cigarro assim não poderia fazer mal ).
Da cratera enluarada e da poeira da estrada
Eu me lancei
No teu rastro sinuoso, certo dia cão raivoso
Eu me tornei
Farejando teus sorrisos meu olhar
Fez-se veloz
Nos teus gestos imprecisos eu flagrei
O meu algoz.
Vislumbro o mal e o bem que trago aqui no peito
Uma fusão dos meus pecados ancestrais
Ouso invadir o ventre quente do teu leito
Eu sou afeito a essas noites tropicais.
No teu não quase convite arrisquei-me num palpite
Tentador
Meu olhar quase furtivo arrisquei no teu, cativo
Pelo amor
E no fim do meu poema travesti-me
De refém
Sem deixar-te perceber quanto meu verso ia além.
Por Brancaleone


criado por sheppa
18:28 — Arquivado em:
Comentário por Nica Pontual — 8.1.08 @ 15:20
Grande Brancaleone,
do herói destrambelhado tiraste apenas a ousadia, que usa de forma lúcida, sabendo bem o que quer atingir.
Através da rocha, rasgas o pensamento hermético que direciona as lutas de classe, usando para isso uma espada de ponta sutil. Espada que rompe, com fino gume, a pedra pelo veio, alcançando assim, sem que se aperceba o vulgo, a verdade mais profunda.
Com a admiração do
Nica Pontual