18.12.07
Pela revolução de todos e por um novo ano de fato.
Primavera entre os dentes
Quem tem consciência pra se ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra mola que resiste
Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade decepado
Entre os dentes segura a Primavera
(João Ricardo/João Apolinário)
Este texto não tem a intenção de fazer nenhuma denúncia, nem decifrar a comentada crise da esquerda mundial ou menos ainda, de trazer qualquer solução pronta para a sociedade.
Essas linhas nada mais são do que uma simples tentativa de prestar uma honesta homenagem aos que acordam ainda sem luz, com o corpo cansado e cujo pior pesadelo não acontece durante o sono, mas quando a vida real mostra a face;
aos que desaparecem soterrados na vala comum da exploração do homem sobre o homem;
aos que enlouquecem em prisões covardes por amarem ao próximo;
aos já desumanizados que sentem o peso da mão da justiça e suas leis de conduta social ao tempo em que assistem grandes crimes serem cometidos em corredores e gabinetes mesquinhos;
aos agricultores que depois de engordar o estômago voraz dos governantes, vivem agora na forca das corporações, sem terra, sem trabalho, sem sementes…o prato cuspido de todos os Estados;
aos que dormes nas ruas e que só encontram calor no fogo que queima seus corpos pela madrugada. Fogo ateado pela raiva, pelo medo e pela nossa incompetência;
aos que negaram o título de herói;
aos que se diferenciam por serem de fato iguais;
aos que estão na luta não pelo prêmio, não pelo prestígio, pela foto ou pela aparição na TV, mas pela libertação;
aos que não desistem; Não os percamos de vista. pois em todos eles estão um pouco de nós mesmos.
Ainda inspirado em Allen Ginsberg e seu Uivo, tento uma reflexão.
Estamos compreendendo todas as nossas lutas e o período em que vivemos?
Conseguimos já diferenciar a Rússia de 1917 do Brasil de 2007?
Será que em nossas ações, coletivos, partidos e organizações, com suas hierarquias, burocracias e direções, não reproduzimos a mesma forma de atuação que tanto combatemos?
Há muito a se fazer e todos sabemos. Qual a nossa estratégia anticapitalista para 2008? Estamos mesmo abertos uns aos outros num diálogo que transborde por todos os nossos poros na busca real da profunda mudança radical na sociedade?
Chego a acreditar em alguns momentos que todos o métodos são válidos. Todas as ações legítimas e que nossas diferenças acertaremos depois. Como justos que somos.
Talvez seja isso mesmo mas talvez não.
d.B. Cooper


criado por sheppa
2:30 — Arquivado em:
Comentário por Poke — 20.12.07 @ 11:16
faz um tempo q eu também estou farto… só a beleza salvará o mundo, mas parece q só o terror muda ele…
Comentário por denise abramo — 12.2.08 @ 23:49
que os trabalhadores, estes que constroem tudo e fazem tudo na sociedade funcionar, que estes trabalhadores forjem sua própria libertação, pois não há nada a perder além das algemas.
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